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sexta-feira, 16 de abril de 2021

Dark New Farm: a ideia é manter a saúde em dia, mas retornar com tudo e matar a saudade dos palcos

 Entrevista por: Renato Sanson

 


Banda: Dark New Farm (SC)


“Farm News” traz um contexto lírico bem forte em sua temática. O que não era mais para ser um tabu em tempos atuais parece cada vez pior em nosso mundo. Como surgiu a ideia destes temas?

Sol: Empatia. O mínimo da decência humana. Pensar além dos problemas que enfrentamos, e como não é incomum olhar para o lado e ver alguém que conhecemos passando por outros problemas que não são a nossa realidade. E mesmo que não encontremos ninguém com certos problemas por perto, simplesmente imaginar o quão difícil deve viver sob algum preconceito já deveria te afetar. Se você não conhece ninguém que passa por preconceitos, e não consegue se importar quando pensa nos outros que passam... deveria reconsiderar o que você está fazendo na vida. 

Harley: As composições da banda são sempre feitas de maneira democrática e expressam nossas opiniões e vivências. Os temas são pesados, pois, acreditamos que como banda temos algo a dizer: homofobia, violência contra a mulher entre outros são temas que necessitam sempre ser debatidos, e me orgulho de estar em uma banda que não tem medo de dizer o que pensa. 

Vini Saints: Foi um processo bem natural, em cada composição. Pareciam que elas eram reflexos de nossas conversas de dia a dia, como foi o caso da “L.O.V.E.”, por exemplo. Ela foi originada em um dia no qual estávamos discutindo sobre um crime que estava sendo noticiado sobre mais um caso letal de homofobia em nosso país, então logo surgiu força para escrevermos ela. “Madre” também nasceu de conversas e situações vivenciadas e observadas por nós. Então enxergo nossas músicas como uma conversa nossa com o ouvinte, a gente traz ele para nosso grupo, para nossa discussão, e queremos que ele participe e grite sobre esses temas como nós. 

Maykon: Foi tudo natural, por mais que seja clichê essa afirmação. A Dark New Farm surgiu com o single “La Patria! La Fábula!” e a partir daí, as outras músicas foram tomando forma naturalmente. O que fazíamos já era algo que chamava a atenção, misturar o Inglês e Espanhol logo chamou a atenção do pessoal. Quando acontece um triste episódio na nossa região e com memórias obscuras fizemos “Madre”, tivemos uma apresentação que questionaram a presença de um casal de amigas nossa e por isso fizemos “L.O.V.E”, tudo surgindo aos poucos, tivemos muita ajuda do Fabiano Hamed (ex-baixista) nesse processo de composição. Hoje eu ouço o nosso trabalho e me dá muito orgulho de tudo isso. 

Como foi adaptar as letras para a sonoridade atual da Dark New Farm?

Sol: Foi um processo tranquilo. O núcleo de qualquer composição da DNF é o ritmo. Muitas vezes imaginamos riffs simplesmente por qual seria a sensação do groove que estamos buscando, e então encontramos notas e tonalidade para aquele ritmo. Esse relacionamento próximo entre ritmo e composição deixa aberto uma exploração bem intuitiva das sílabas à serem usadas. A parte mais difícil de escrever as letras sempre foi fazer juz aos temas pesados e pessoais, e não muito a sonoridade em si.

Harley: É um processo natural. Geralmente o Sol, Vini ou Maykon tem a ideia de um som e a partir dali a gente vai construindo. Como vocal eu tento passar a emoção que a letra e a sonoridade pede, como em “Madre” a letra ali fala de uma relação de ódio e amargura por isso o vocal tem que transmitir isso.

Vini Saints: Não vejo que tenha sido muito difícil, parece que o New e Groove Metal são gêneros muito flexíveis em termos de letras. Nossas inspirações passam por grupos como Rage Against the Machine e Sepultura, e as temáticas são bem distintas e ricas entre essas e outras bandas que nos influenciam. Então, brincar com os riffs e as alternâncias de peso que existem nesses gêneros, moldando em torno de nossas letras, acabou sendo um processo fluido e, até mesmo, divertido.

Maykon: Acho que a humildade dentro de todos os músicos, facilitou todo o processo. Talvez quem sofreu mais foi o Sol Portella, por ser um músico que estudou anos luz a mais do que nós todos e por ter uma técnica e visão musical mais ampla, teve que aceitar algumas coisas na qual relutou as vezes. Não por ser cuzão e sim por querer que tudo saísse da melhor forma possível. Aos poucos, um foi completando o outro e isso foi formando as músicas da forma que estão hoje. O próximo disco, EP, single ou sei lá o que vamos lançar, já será um pouco mais intenso, digo isso de todos. 

Em termos de musicalidade temos uma grande gama de influencias. Nesse pouco tempo de estrada como foi para moldar a sonoridade?

Sol: Foi extremamente importante para o meu desenvolvimento como músico. Não apenas expressar o meu “lexicon musical”, mas ouvir os de outros e aprender a incorporar tudo isso ao o que eu quero fazer. Ser próximo de artistas talentosos que tornam essa troca de informações, personalidade e arte é algo que eu tive a honra de experienciar aqui na DNF.

Harley: Cara, aí eu tenho que dizer que a Dark é o choque de alguns mundos, o que faz dar tão certo. Se você ouvir o som vai perceber nuances de vários estilos isso está no nosso DNA e nas nossas escolas musicais do som mais ambient e atmosférico ao death metal e o rock.

Vini Saints:  Bom, como mencionei, temos inspirações de grupos de origens e caminhos bem distintos. Gostamos até mesmo de brincar que nosso leque de inspirações vai desde os precursores do Hard Rock nos anos 1970 até a música folk do Oriente Médio. E no meio disso, com certeza tem das bandas mais famosas até as coisas mais underground possível. Harley e Sol são donos de gostos musicais muito peculiares, eu e o Maykon somos um pouco mais apegados à superfície, e no fim conseguimos congregar tudo isso em nossas músicas. Então todo esse tempo que temos de conversas, viagens, ensaios e shows, acaba ajudando a nos entendermos cada vez mais dentro de nossas preferências e influências. Se torna um quebra-cabeças, mas sabemos como completar esse jogo.

Maykon: Cara, a coisa mais triste no mundo da música é o pessoal ter medo de criar sua própria personalidade por temer o que o público bundão/troozão vão achar. A D.N.F chutou o balde quanto a isso, sabendo que iria ter bastante gente que iriam gostar assim como teria muita gente que iriam detestar, por sorte, é minoria. Aos poucos fomos criando nossa identidade, que hoje quando tu ouves de longe meio que interliga a gente, era isso que queríamos. Quem sai de casa para ver mais do mesmo? Hoje com tantas bandas como tem, se alguém não tomar a iniciativa de fazer algo diferente, será só mais uma e a Dark quis criar essa sua identidade para poder ser lembrada por isso.

Maykon, impossível não perguntar sobre sua deficiência nos braços e mesmo assim você supera as adversidades e de fato, “senta a mão” em seu kit de bateria. Nos fale mais a respeito.

Maykon: Tocar bateria foi a maior libertação da minha vida, mas não foi um processo fácil. Agradeço a minha madrinha, Márcia Nunes (in memoriam) que quando eu tinha apenas sete anos de idade, me levou para a fanfarra da escola “rival”, pois a escola que eu estudava nunca quis me dar oportunidade. Dali pra frente, foi só ‘evolução’ até chegar a bateria. Mas, tocar na Dark é fácil, tem um vocalista estrondoso e poderoso, um baixo pesado e groovado e um guitarrista técnico e versátil. É fácil tocar com esses caras e grande parte do sucesso disso, é deles, porque me deixaram fazer minha parte do jeito que eu conseguia, sem forçar e começaram a entender musicalmente o que eu tinha a oferecer e quando eles sugaram isso, a gente conseguiu montar o nosso som, com peso, groove e cadencia, como sempre buscamos. A deficiência é algo que hoje em dia, é só visual. É meio estranho ver aquele cara de braço curto na bateria, parecendo um dinossauro hahaha, ainda rola algumas piadas seja elas engraçadas ou pesadas, o negócio é fazer a minha parte, deixar mesmo que seja um pequeno registro musical da minha parte nesse mundo, pois um dia eu vou embora, mas o “Farm news” estará ainda na deep web, tomara.

O Dark New Farm além do lançamento digital do álbum também optou pelo formato físico, que já não vem sendo muito utilizado pelas bandas independentes. Como vocês enxergam este cenário daqui a cinco ou dez anos?

Sol: Com certeza o lançamento físico passará a ser um "item de colecionador" muito mais do que uma forma de consumir mídia. Mas, ainda acho importante a presença de mídia física (e recomendo que, se possível, grupos independentes continuem tendo o pouco que puderem). Pode ser uma das únicas formas de ação direta que nos restam, caso as plataformas digitais tenham muito controle sobre a arte que produzimos. Não troquem de ter a sua música “em mãos”, mesmo que de forma simbólica, pela conveniência de se entregar completamente à plataformas de streaming.

Harley: O material físico para mim é um sonho realizado, entendo o quanto e difícil para uma banda underground atingir isso ainda mais na realidade atual, mas como colecionador orgulho define saber que nesse material está imortalizado nosso trabalho e a cada detalhe ali, cada som, a capa tudo tem uma história o que é comovente para caralho kkkkkk. Como esse mercado vai estar daqui dez anos? Bah acredito que vai ter os colecionadores, a galera que quer ter o material da banda, o encarte, a mídia de forma geral, será algo limitado sem dúvida. Mas vai persistir assim como o vinil, as fitas k7 e os fanzines.

Vini Saints:  Olha, na verdade, dificilmente vamos seguir pelo lançamento físico até mesmo em nosso próximo trabalho, seja EP ou álbum. Infelizmente, por mais belo e significativo que seja ter o disco em mãos, para a banda acaba sendo um custo e processo caro e lento. A demanda por CDs caiu muito, e eu sequer vejo isso como um inimigo ou problema. Estamos vivendo tempos da portabilidade, da mobilidade, da praticidade, e sabemos que não tem como carregar um CD para cima e para baixo, como o celular conectado nos aplicativos de streaming. Acho que a tendência é encontrarmos um meio tempo mais vantajoso para os músicos dentro dessas plataformas, então em dez anos teremos uma dor menor do que a que sentimos hoje. Recomendo, inclusive, que fique de olho na nova forma de transação que está ascensão, o NFT. Pode ser um passo interessante para as bandas monetizarem de forma justa e ainda permitir que seus fãs apreciem a música em qualquer lugar pelos dispositivos que quiser.

Maykon: Eu não sei resto dos caras, mas eu dormi com os meus CDs quando eles chegaram. Era um sonho de piá sendo realizado com a melhor galera que eu podia imaginar. Quando peguei o CD em mãos, passou um filme na cabeça bem intenso, pesado e com pitadas de boas lembranças. Ver pessoas comprando o nosso trabalho, foi fantástico. Músicos de Death, Black, White, Hard Rock, sem distinção adquirindo nosso merch. Foi fantástico, mesmo!!! Porém, acreditamos que isso irá acabar, talvez um dia voltando forte como o vinil hoje em dia que todo mundo tem saudade, ouvir música pelo Spotify é um saco. Sem falar que cobram um absurdo da banda para botar a música lá e depois retornam esmolas. Utilizar do streaming é oferecermos horas de estúdio, valores gastos em produção e gravação, totalmente de graça. Qual o sentido disso? Valorizem a porra das bandas que ainda fazem material físico, colecionar CDs é tão daora!

Para a banda, 2020 foi um ano perdido ou de reconstrução?

Sol: Requer um pouco de maturidade para aceitar que sim, talvez tenha sido um ano de grande perda. Mas o ponto principal é: muito acima de como banda, como PESSOAS nós devemos saber as nossas prioridades. Cantar sobre temas solidários e de união, para então cometer a hipocrisia de aumentar o número de casualidades lá fora por puro egoísmo? A vida de alguém importa muito mais do que qualquer som. E a forma mais direta que nós podíamos ter respeitado isso foi justamente a “perda” de um ano. Pausas de um, dois, dez anos acabam. Uma vida cortada mais cedo, não volta.

Harley: Perdido eu não diria, pois, estamos todos bem (na medida do possível). Mas sim foi um ano que fizemos muitos planos no início e que foram totalmente afetados. O mais importante é que decidimos cuidar da gente, das nossas famílias e um do outro.

Vini Saints: Absolutamente perdido. Quando a crise global da Covid-19 chegou ao Brasil, era março, e estávamos exatamente em semana de gravação de nosso clipe para uma das faixas de nosso EP “Farm News”. Aquilo travou todos nossos planos, e foi passando o tempo e nada foi melhorando. Afetou muita nossa proximidade, nossas formas de viver, e cada um de nós enfrentou problemas particulares que, infelizmente, forçaram a banda a ficar em terceiro plano. Tentamos algumas coisas, traçamos alguns planos, mas somos um grupo que valoriza muito o contato físico, mas valorizamos ainda mais nossa saúde e o conforto de nossas famílias, por isso preferimos esperar. Felizmente, a única coisa que perdemos em 2020 foi a oportunidade de continuarmos nosso trabalho, e isso podemos recuperar futuramente.

Maykon: Quero mais que 2020 vá pra puta que pariu. Em março de 2020 estávamos em um prédio abandonado gravando o videoclipe que encerraria o ciclo do “Farm News” e do nada, todo mundo em casa apavorado. Perdemos shows fora do estado, tivemos que cancelar grandes festivais, sem falar no pânico que todo mundo se encontrava. A Dark mora praticamente todos afastados e nisso, perdemos o Sidney nosso tecladista que seguiu seu rumo a outros mares e só temos a agradecer a presença dele aqui conosco. Para mim, 2020 fodeu com a banda, com todos os planos e nossos objetivos, foi um banho de água fria.

Para 2021 quais as novidades e planos?

Sol: Composições, planejamentos, reatar contatos, etc. Infelizmente as coisas ainda não estão “de volta ao normal”; mas nós vamos preparando o caminho para quando elas estiverem. O importante é não deixar o coração parar de bater.

Harley: O nosso maior plano é ter todo mundo vacinado kkkkkk . Acredito que estamos pensando a longo prazo e é cedo pra pensar em shows, mas a banda não vai parar. Temos novos sons, novas idéias e uma vontade enorme de espalhar a palavra daquilo que a Dark representa, podem ter certeza que em nosso retorno seremos uma banda mais madura e com muito mais anseio de gritar pro mundo nossas palavras.

Vini Saints: Ainda é difícil dizer. Nosso país se tornou o inimigo da saúde pública global, nos sentimos cada vez mais distantes da possibilidade de reencontrarmos e darmos continuidade em nossos planos. Ainda estamos buscando formas de adaptar nossas realidades para algo que valha a pena investir nossas energias, que estão sendo muito demandadas em nossas vidas particulares. Posso dizer que não estamos com pressa, mas tentando nos reaproximar e manter os sonhos e planos vivos, só não sabemos quando serão executados ainda. Não queremos fazer qualquer coisa, queremos realmente continuar em progressão. O EP “Farm News” teve uma ótima aceitação, mas sempre com uma mensagem de “eles podem melhorar”. Sabemos disso, e queremos provar isso com uma produção superior, composições superiores e um trabalho amplamente superior. Por isso, nossos planos são de voltarmos a atividade com tudo, e estamos ansiosos por isso.

Maykon: Tomar umas dez vacinas de cada marca aí para ver se a gente se salva. Se tudo der certo, nos veremos logo nos palcos, se der errado encontro vocês no show do Beatles ou Jimi Hendrix, talvez. Mas esperamos que todos tenham calma, façam todos os procedimentos/protocolos de segurança e mantenham-se em casa sempre que possível. Estamos loucos para lançar algum trabalho novo, que contará com grandes participações e acredito que será um passo grande no projeto. Espero poder ver logo esses caras, comprar coca cola, bolacha e pizza para os ensaios e matar a saudade, considero-os meus irmãos e sinto falta de vê-los e conviver com eles. E por favor, ouçam os profissionais de saúde e não qualquer um com mídia e microfone em mãos, isso é muito importante para sua sanidade mental.

 

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segunda-feira, 22 de março de 2021

Dark New Farm: Você escuta “Farm News” e a única coisa que vem à cabeça é: METAL

Resenha por: Renato Sanson

O intuito era o Nu Metal, mas os catarinenses da Dark New Farm foram além e se deram conta disso já nos primeiros ensaios, apresentando uma musicalidade Metal com diversas influencias, mas não pense naquele emaranhado de notas ou estilos sobrepostos nas composições. Você escuta “Farm News” (19) e a única coisa que vem à cabeça é: METAL. Simples assim, influencias de Thrash, Death e até New Metal são perceptíveis, mas não deixa de ser um excelente disco de Heavy Metal!

O peso e agressividade são latentes, e o que casa muito bem com a banda é o quanto são homogêneos, não há demonstração de técnica individual ou mirabolismos sonoros, a simplicidade é o carro chefe, mas de uma forma que podemos dizer única, pois você os escuta e percebe a identidade própria da Dark New Farm.

Entenda o que estou falando ao ouvir “Madre” um começo mais old school com um riff bem marcante e vocais urrados sinistros, para ter uma quebra de tempo com vocais mais rasgados (a lá Mille Petrozza do Kreator), com um interlúdio de teclado belíssimo em sua parte final antes do peso e violência retornar aos nossos ouvidos. Mas tudo isso de uma forma simples e funcional, não deixando o ouvinte confuso, pequenas nuances alternativas que seguem a mesma linha, mostrando muita criatividade.

A produção do EP é excelente, pesada, limpa e com os instrumentos bem na cara, sem falhas. Se entrelaçando com uma arte bem-humorada que te deixa curioso para apertar o play.

As letras de “Farm News” também se destacam e trazem fortes críticas a nossa sociedade hipócrita, como em “L.O.V.E.” e sua crítica a homofobia.

Além do inglês e das variações vocais que transitam entre linhas distintas, a banda também agrega a língua pátria e o espanhol, dando maiores possibilidades para sua sonoridade.

Como são três línguas a proposta da banda, quem sabe um pequeno cuidado com a dicção (não vamos ser hipócritas, não é? Pois quantas bandas alemãs, suecas e italianas você escuta com dicção duvidosa?), mas nada que interfira no resultado final deste belo material.

As “imperfeições” fazem parte justamente para não serem perfeitas, mas apenas lapidadas. E isso me anima em muito na Dark New Farm, porque os caras já chegaram com o pé na porta e mostrando ao que vieram, imagina agora quando irem se lapidando com o tempo!

 

Formação:

Harley (vocal)

Maykon (bateria)

Sol (guitarra)

Vinicius (baixo)

 

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sábado, 13 de setembro de 2014

In Flames: Encantando Alguns, Decepcionando Outros

11º álbum dos suecos agrada e desagrada mundo afora

Já há alguns anos o In Flames vinha modificando seu som, ora se afastando do seu Death Metal Melódico que marcou época nos dois primeiros discos, ora retornando a um som pesado, agressivo e barulhento, como no álbum “Sounds of a Playground Fading” (2011).

Se a banda sueca ainda estava trazendo um pouco de cada elemento nos seus lançamentos, com o novo trabalho, “Siren Charms” (2014), o grupo debandou para uma proposta bem mais leve e até mesmo comercial.

Estreia da nova formação em estúdio

É claro que há momentos de peso, mas eles se restringem a uma ou outra faixa, como em “Everything’s Gone” (no seu início) e “When the World Explodes”, sendo que, na sua maior parte, o álbum traz uma linha mais “New Metal”, embora não possa ser comparado aos principais grupos desse estilo, mas sim pela sua proposta com mais melodias, momentos cadenciados, refrãos grudentos e de fácil assimilação.

A verdade é que tanto a mídia quanto (e especialmente) os fãs mundo afora ou estão amando ou odiando o novo trabalho. Este redator se coloca entre aqueles que adoraram o álbum, por mera preferência pessoal, já que estava insatisfeito com a proposta por demais barulhenta (às vezes peso se torna apenas barulho) dos dois últimos discos.

Vocalista Anders em novo estilo, com seus vocais leves característicos

Pontos de destaques para os ótimos vocais de Anders Fridén e, apesar do grupo ter sofrido com a saída de Jesper Strömblad (que foi substituído por Niclas Engelin) há momentos de grande inspiração nas guitarras e até mesmo coragem por parte de todo o instrumental do quinteto, considerando sua história, como “Paralyzed”, “With Eyes Wide Open” (viciante refrão), “Rusted Nail” (um dos singles em vídeo), além das minhas preferidas: “Monsters in the Balroom” e “Through Oblivion” (letra sensacional e um vídeo clipe muito fino).

“Siren Charms” será um marco na carreira da banda, seja para seu proveito ou sua decadência. Arrisco dizer que o grupo seguirá em expansão, angariando novos fãs e manterá aqueles que, a despeito de preferirem a fase mais antiga, consigam apreciar a evolução natural da In Flames.

Stay on the Road

Texto/edição: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: In Flames
Álbum: Siren Charms
Ano: 2014
País: Suécia
Tipo: New Metal/Metal Moderno
Gravadora: Epic/Sony

Formação
Anders Fridén (vocal)
Björn Gelotte (guitarra)
Peter Iwers (baixo)
Niclas Engelin (guitarra)
Daniel Svensson (bateria)



Tracklist
01. In Plain View
02. Everything's Gone
03. Paralyzed
04. Through Oblivion
05. With Eyes Wide Open
06. Siren Charms
07. When The World Explodes
08. Rusted Nail
09. Dead Eyes
10. Monsters In The Ballroom
11. Filtered Truth

Assista aos vídeo oficiais do álbum





Acesse e conheça mais sobre a banda

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Barrabás Society: Insano, Brutal e Moderno



A banda gaúcha Barrabás Society lançou no final de 2011 seu primeiro full lenght “Barrabás Society” com uma proposta de som muito interessante, mesclando diversos estilos desde o som tribal ao Thrash Metal com composições rápidas e cortantes.

Com um pouco mais de dois anos de existência a banda vem conquistando seu espaço no underground gaúcho, mostrando a força de seu som onde agrega muito peso e agressividade sempre buscando inovar e aperfeiçoar seu estilo, além disso, Barrabás Society mostra sua força de vontade na divulgação de seu som sendo que o álbum é vendido nas ruas da grande Porto Alegre pelos seus integrantes, mostrando seu som a quem queira ouvir.

Bom, vamos ao que interessa, ao contexto desta obra que podemos chamar de doentia e insana, pois o álbum abre com uma intro realmente doida “Began” que abre os caminhos para barbaria de “Nullyfied Personality” mostrando muita agressividade, chegando a ser doentia, mas aliados a novos elementos, principalmente nas características dos riffs de Yvan Bueno e sem contar a agressividade nos vocais urrados de Douglas Righi.


Dando continuidade ao massacre, “Tony Montana”, com uma leve influencia de New Metal, mas com riffs bem balanceados, sem contar à cozinha que é comandada por Alexandre Arriera (bateria) e Jonathan Away (baixo) que mandam muito bem dando o equilíbrio certo à banda, “Bitch” (assista o vídeo acima) com certeza é a faixa mais agressiva do play, mas mostrando todas as influências da banda que sabe muito adequar a seu som novos elementos sem perder suas próprias características.

A Barrabás Society está realmente de parabéns, pois investem em uma sonoridade mais própria, não tendo medo de arriscar, tentando fugir das mesmices que rondam a cena, única ressalva fica a cargo da produção do disco que acabou pecando e deixando a sonoridade um pouco abafada e não tão na cara, mas com certeza este detalhe será revisto pela banda em seu segundo lançamento, pois qualidade estes caras tem de sobra.

Texto: Renato Sanson
Edição/revisão: Eduardo Cadore
Fotos: Divulgação

Ficha Técnica
Banda: Barrabás Society
Álbum: Barrabás Society
Ano: 2011
País: Brasil
Tipo: Thrash/Tribal/New Metal
Gravadora: Independente

Formação
Douglas Righi (Vocal)
Yvan Bueno (Guitarra)
Alexandre Arriera (Bateria)
Jonathan Away (Baixo)


Tracklist
01 Began
02 Nullyfied Personality
03 The Resistance
04 Tony Montana
05 Hypocrisy
06 You Will Become My Toy
07 Nova
08 Bitch
09 Psycho Killer

Acesse e conheça mais sobre a banda

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Made In Brazil: Metheora - Buscando Seu Espaço


Num país do tamanho do Brasil, temos regiões e estados com uma riqueza de culturas, que, provavelmente não é possível de encontrar em qualquer outro canto do globo. Nada mais normal do que, nessa imensidão toda, e, ainda agora com a ajuda da internet, recebermos e descobrirmos a cada dia bandas de qualidade e dos mais diversos estilos dentro do Rock Pesado e do Metal.


Aqui no Road To Metal fazemos questão de abrir espaço para as bandas que buscam seu espaço, que trabalham em prol de um objetivo de mostrar seu trabalho, e, apresentamos hoje, a Metheora.

A Metheora, da cidade de Santos Dumont/MG, foi formada em 2009, trazendo influências do Metal mais moderno, principalmente o Norte Americano, sendo que a influência mais evidente é Evanescence.

A banda começou fazendo covers de Godsmack, Evanescence e Korn, entre outras, mas logo em seguida partiu para composições próprias, querendo já encontrar sua personalidade e mostrar um trabalho autoral, afinal, é muito fácil ficar brincando de banda cover e não ter a coragem de tentar vencer com trabalho próprio, e aí já mostra que personalidade o pessoal tem!


A Metheora também apresenta uma característica que causa muita controvérsia, pois canta em português, e muitos acham que o Rock só pode ser cantando em Inglês, que essa é a língua do Rock e alguns chegam ao ponto de nem ouvir trabalhos de bandas que cantam em línguas natais! Como ser preconceituoso de uma maneira a se privar de ouvir bandas como Mago de Oz e Tierra Santa, por exemplo, da Espanha, que cantam na língua natal, ou os argentinos do Rata Blanca? Ou bandas brasileiras como Carro Bomba, ou as históricas Stress e Harppia?


Se o trabalho é bem feito, com certeza não é a língua em que é cantado que vai reduzir o mérito do artista.
No caso do Metheora, o fato de cantar em português funciona muito bem. Boas letras, e um vocal muito afinado de Ana Lúcia, que mostra que não é somente mais um rostinho bonito na cena, trazem tudo para agradar os fãs da citada Evanescence.

Mas não entenda que a banda é uma mera cópia! Usei referências para o leitor se situar. Esse pessoal já mostra personalidade e sendo uma banda nova, não ficou arrumando desculpas, arregaçou as mangas e foi à luta, inscrevendo-se em festivais e conseguindo contatos e fãs. Abriu show do Matanza, no Space, em Juiz de Fora, onde também conseguiu uma boa divulgação. Já tem um CD lançado, "Apenas Ilusões", de abril de 2011, tendo sido gravado no estúdio Kolina, em Santos Dumont.

Atualmente a banda foi contratada pela gravadora digital Histeria Superstar (acesse aqui o site), prepara a gravação de seu primeiro vídeo clipe oficial , também vai participar de um dos maiores festivais de Rock da América Latina, o Grito Rock, que é famoso também por ter diversos eventos culturais, como feiras e workshops e dia 3 de março tem um grande show em Belo Horizonte, abrindo para o Noturna, que está lançando seu segundo trabalho.

O Metheora segue buscando e batalhando seu espaço e com a personalidade, vontade e competência demostradas até agora, eles vão colher bons frutos.

Acesse o Myspace da banda e ouça as faixas do CD "Apenas Ilusões", destacando a balada  "Sombras", que vai agradar os fãs de Evanescence, e possui um bom potencial comercial e a pesada "Pedaços de Mim".
Ana Lúcia: A vocalista mostra que não é só mais um rosto bonito na cena
Texto/Edição: Caco garcia
Fotos:Divulgação e arquivo pessoal da banda

Formação
Ana Lucia: Vocal/Teclados
Raffael Tavares: Guitarra Solo
Edgar Nascimento: Guitarra/Vocal de Apoio
Claudio Vitor: Baixo
Richard Rodrigues: Bateria

Contatos: metheora@hotmail.com
(32) 8873 6430
(32) 8889 7537
(32) 3251 2575

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Na Mira da Navalha: A Morte do New Metal

Esta é a seção chamada Na Mira da Navalha. A cada postagem você irá conferir um texto que caminha entre o polêmico, o radical e o extremo, onde os redatores "chutarão o balde" ou colocarão "à prova" algum grupo ou assunto, buscando expressar sua opinião. A ideia não é impor verdades absolutas, mas demonstrar o que pensam os redatores sobre assuntos que são pautas nas conversas antes de shows, ou entre amigos num churrasco regado com muito Metal. E, claro, a galera pode comentar! Stay on the Road

Korn foi um dos pioneiros da cena

Década de 90, após ter resistido ao pavoroso grunge, aparentemente mais nada afetaria o Metal, certo? Errado! Um novo estilo vinha ganhando a mídia e sendo empurrado goela abaixo como a salvação do Metal: nascia uma mistura indigesta de guitarras mal tocadas, vocais chorosos e rap (muito rap) primeiramente conhecido como Metal Alternativo até receber o horrendo título de New Metal.

Pai da crianças?

Não existe consenso entre quem foi a primeira banda de New, poderíamos apontar desde Faith No More a Rage Against the Machine, entretanto sabe–se que o seu foco maior se iniciou no EUA e como uma praga foi afetando o mundo todo e, por incrível que pareç,a grandes bandas como Sepultura (repare na camiseta que o Max usa no clipe de “Roots”), Soulfly (primeiro CD é New puro), Slayer na época do Diabolus inMusica e Machine Head, entraram vindo nesse embalo.

Aparecera as pioneiras como Korn, Deftones, Coal Chamber, etc...

Papa Roach foi um dos grupos "queridinhos" de Ozzy Osbourne para o Ozzyfest

O estrago estava feito: a grande de mídia adota o estilo com força. A tradicional revista Kerrang! faz páginas e páginas vangloriando os novos astros do Rock como Jonathan Davis (vocalista do Korn). Mas o que me soa mais oportunista é o padrinho de peso Ozzy Osbourne que por antes atendia como Príncipe das Trevas, lota o seu Ozzyfest do maior número de “aberrações” possíveis como Mudvyne, Kittie e POD.

Nos anos 2000, o estilo chega ao seu auge com os oportunistas do Likin Park tocando na MTV de 2 a 2 minutos. Quem permaneceu fiel ao Metal verdadeiro é obrigado a ouvir besteiras como “o New Metal é a evolução da música pesada”, ou pior, ver seus ídolos de outrora se bandeando para o lados mais alternativos para ganhar destaque (Metallica e o tenebroso “St. Anger”).

Hora da virada

Entretanto a década de 2000 trouxe um novo revival para o Heavy Metal verdadeiro. O Iron Maiden agora com a volta de Bruce detonava no Rock in Rio; o Arch Enemy ao lado do In flames e Dark Tranquility começavam a formatar o Death Metal Melódico; Angra com seu “Rebirth” trazia novos ares para o Metal Melódico, assim como o Helloween e o Stratovarius; além do Black Metal incendiando tudo (literalmente) na Noruega...

Já as bandas de New iam chegando em seus segundos, terceiros, quartos trabalhos repetindo a mesma formula, criando aquela conhecida sensação de” já vi isso tudo antes” e cada vez mais perdendo atenção, muitas sumiram de vez (Amen , Papa Roach), outras foram moldando o seu estilo (Likin Park caindo para o pop, Korn para a música eletrônica) e algumas poucas conseguiram o que parecia impossível: aprenderam a tocar e fazer música interessante como o caso do Slipknot no seu “Subliminal Verses vol 3” ou Machine Head refazendo música pesada com seu "Blackening", ou até mesmo a salada de música feita pelo System o A Down.

Likin Park passou a deixar seu som a cada disco mais comercial

Legado final

O que mais irrita no New Metal é o seu rótulo em si, afinal virou modinha e qualquer coisa pseudo fabricada virava New como no caso do choroso Evanescense. Mas se fosse para dizer alguma coisa que esse estilo moribundo deixou de bom é o fato de que muitas crianças que aos seus 10 a 12 anos começaram a ouvir New Metal foram crescendo e conhecendo bandas extremas, então se para chegar em um Dimmu Borgir foi necessário passa por um Korn (ambas as bandas realizaram turnê conjunta), beleza! Só que atualmente é fato o New metal morreu! Apenas os rappers metal do Limp Bizkit, por exemplo, não se tocaram disso.


Texto: Harley

Revisão/edição: Eduardo Cadore

Fotos: Divulgação


OBS: as opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor, não sendo, necessariamente, a posição dos demais membros da equipe Road to Metal. Vivemos numa democracia e as temáticas apresentadas nesta seção estão sempre em discussão pelo nosso público. Obrigado pela compreensão.

Confira a sonoridade e imagem de algumas bandas New Metal


Korn “Blind”

Coal Chamber “Loco”

Mudvayne “Happy?”

Il Ninõ “This is War”

domingo, 15 de março de 2009



O Disturbed é uma banda vinda dos EUA e, embora seu vocalista e líder David Draiman não goste que a banda seja classificada como New Metal (ou Nu Metal, como outros chamam) mas simd e Hard-rock (?!), a banda com certeza é uma das mais originais (não utilizando de vocais hip hop ou rap, nem muitos efeitos eletrônicos) e maduras do cenário New Metal, além de ter seus sons figurando em muitos filmes hollywoodianos.



Esqueça bandinhas como Link Park, aqui no quarto álbum da banda (que marca o retorno após um ano de inatividade) “Indestructible” (2008) você encontra uma banda madura, pesada, com ótimos riffs de guitarras e solos mais Heavy metal do que este que escreve poderia esperar.

Com absoluta certeza o melhor disco da banda, os caras estão detonando, sem precisar apelar demais para efeitos de qualquer tipo e empolgando realmente, como poucas bandas do estilo conseguem fazer.



Contando além do vocal de Draiman, com a bateria (ótima e original) de Mike Wrengen, a guitarra e os poucos efeitos eletrônicos de Dan Donegan (outro líder da banda e que a tornou o que é agora) e o baixo de John Moyer, temos como destaque a grande maioria das faixas. Devo citar aqui a faixa-título que abre legal o disco, assim como “Inside The Fire” (uma das melhores da carreira da banda), “Deceiver” (um pouco mais melódica nos vocais), “Haunted” (que é uma das mias acessíveis do álbum), “The Curse” (minha favorita ao lado das duas faixas inicias) e “Divide”, provavelmente a faixa mais pesada do álbum.



Para os fãs da banda um retorno no melhor estilo, para os que odeiam o estilo New Metal mas não conhecem esta banda, sugiro que escutem este disco e seu clássico álbum de estréia “The Sickness” (2000) e volte para me dizer se nada mudou em sua opinião.

Stay on the Road

Texto: EddieHead

Ficha Técnica



Banda:Disturbed
Álbum:Indestructible
Ano:2008
País:EUA
Estilo:New Metal
Link: http://rapidshare.com/files/181108073/Disturbed_-_2008_-_Indestructible_-_by_Aragorn_-_MusikFactory.rar
Fonte:Musikfactory blogspot

Formação

David Draiman (vocal)
Mike Wrengen (bateria)
Dan Donegan (guitarra e eletrônicos)
John Moyer (baixo)



Tracklist

01. Indestructible
02. Inside The Fire
03. Deceiver
04. The Night
05. Perfect Insanity
06. Haunted
07. Enough
08. The Curse
09. Torn
10. Criminal
11. Divide
12. Facade